Uma das principais revoluções do Sistema Toyota de Produção foi a capacidade de produzir sob demanda utilizando o sistema Just in Time, reduzindo estoques finais e intermediários e aumentando a produtividade das empresas. Porém, para que esse sistema pudesse ser implementado de maneira viável era necessário reduzir de forma considerável o tempo de produção e de setup de máquinas.

Conceito Setup: total de tempo necessário para preparar um equipamento após ter produzido um lote para produzir outro *

Foi nesse contexto que surgiu a ferramenta chamada SMED (Single Minute Exchange of Die) em português, Mudança de Ferramenta em um Dígito de Minuto ou Mudança de Ferramenta em menos de 10 Minutos.  Essa ferramenta idealizada por Shigeo Shingo tem como objetivo justamente reduzir o tempo de setup de máquina e, consequentemente o de produção. Quando Shigeo implementou essa ferramenta na Toyota conseguiu reduzir o tempo de setup de 4 horas para apenas 3 minutos. Outros ganhos do uso dessa ferramenta são:

  • aumento da OEE (Eficiência Geral do Equipamento)
  • Possibilitar one pice flow (produção de uma só peça)
  • Diminuição do Lead Time, que permite atender mais rápido ao cliente

 

Como Implementar o SMED na minha empresa:

Antes de entrar em detalhe nas etapas e atividades a serem executadas é importante ressaltar que existem outras ferramentas e programas que auxiliam para o sucesso do SMED. Entre esses o principal é o programa 5 Sensos, que introduz uma filosofia de qualidade na empresa e promove uma organização que potencializa os resultados do SMED.

ETAPA 1 – Estudo do setup atual

O primeiro passo para a implementação é obter a descrição das atividades envolvidas no setup bem como os respectivos tempos de cada atividade realizada. É importante ressaltar que tempos devem ser medidos diversas vezes ao longo de um período de tempo para que o resultado represente a realidade.

Nessa etapa já podem ser observados melhorias como a eliminação de atividades que não agregam valor para o processo.

ETAPA 2 – Separar atividades internas e externas

Um dos pilares dessa ferramenta é a eliminação das denominadas atividades internas. Entende-se por atividades internas todas aquelas que tem de ser realizadas com a máquina parada. Já as atividades externas são aquelas que podem ser realizadas longe da máquina ou com ela em funcionamento. Alguns exemplos de atividades internas são troca de molde da máquina e limpeza entre uma produção e outra. Por outro lado, atividades externas podem ser preparação de ferramentas na estação de trabalho e transportar a matéria prima utilizada até a máquina.

Nessa etapa devem ser listadas todas as atividades de setup que são externas e internas para o tratamento posterior.

ETAPA 3 – Transformar atividades Internas em Externas

Essa etapa é crucial para a redução do tempo de Setup e após sua execução já vai ser possível observar alguns dos resultados finais.

Durante essa etapa devem ser levantados quais atividades internas, realizadas com a máquina parada, podem ser realizadas com ela em funcionamento ou podem ser eliminadas completamente. Algumas das mais clássicas melhorias são a preparação de todos os equipamentos e ferramentas antes de efetivamente parar a máquina e executar as atividades em paralelo.

ETAPA 4 – Padronizando e determinando aspectos de melhoria contínua

Nessa etapa deve ser padronizado o novo modo operatório do setup para que ele possa ser passado para os colaboradores da empresa. Outra tarefa importante é a revisão frequente desse modo operatório para sempre buscar a melhoria contínua dos processos e aumentar cada vez mais a produtividade.